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Amores imperfeitos são, normalmente, impossíveis. E não me refiro àquela paixão adolescente avassaladora pelo Justin Timberlake. Digo das pessoas reais. Aquele amigo que é namorado da amiga, um primo, um desconhecido, alguém que mora muito longe, uma pessoa comprometida de alguma forma que – por algum motivo qualquer no mundo – é impossível para você. São aqueles casos em que você tem certeza absoluta que chegou tarde demais.


Mais do que atração, os amores imperfeitos são ladeados por sensações que só se despertam por causa das infinitas impossibilidades.


Pessoas que se entendem no olhar, agem como se tivessem um manual e já soubessem o que o outro vai fazer. Pessoas que se completam por si só, sem ter muita explicação para definir. Pessoas que apenas sentem e isso basta. Pessoas que você tem certeza que poderá passar os anos e ainda estarão guardadas em algum velho depósito de sentimentos, mas com uma boa lembrança. Pessoas que te completariam, não fosse o fato de que já são completas e que esse espaço definitivamente não está disponível para você.


Não adianta negar, por mais que não quisesse – ou pior que tenha sido - todo mundo já teve alguém assim e desejou um final feliz. Ou apenas um final. Mas vieram as intervenções, as convenções sociais e trajetórias de cada um e é neste momento em que o amor ganha o adjetivo deste título. E tudo não passa de um grande novelo novo de lã, tentador a ser puxado, em que é difícil conter o desejo de soltar e impossível de fazer voltar ao que era antes.


E nesses momentos a gente se pergunta “Se não era pra ser meu, então por que aconteceu dessa forma?”. Prefiro pensar que existe um motivo, incompreendido, é claro. Somos seres com a essência primitiva, sofremos primeiro, para depois pensar. E nesse momento a ilusão criada pela expectativa é mais forte que o discernimento e compreensão.


Mas tudo isso não muda o fato de que, por mais impossível e/ou imperfeito que seja, existiu. Ainda que para resgatar velhos sentimentos normalmente deixados de lado. Ainda que para fazer perceber que é possível viver, sentir e amar.


Prefiro lembrar da boa sensação do que guardar a decepção criada pela expectativa de ter encontrado alguém perfeito, meu impossível. Espero que assim seja. E que o coração não se feche novamente. Afinal tem coisa melhor que deixar a esperança chegar pertinho e bater à porta novamente? Quero estar aqui quando ela trouxer consigo outro amor. (Im)Perfeito para mim.

Tive uma infância normal. Logo, cresci ouvindo histórias infantis que me diziam sobre um lindo príncipe encantado que um dia viria, enfrentaria tudo para salvar a princesa em perigo e traria consigo o tão esperado final feliz. Não preciso nem dizer que a realidade tá bem distante dos clássicos Disney. Mas no fundo eu sempre acreditei que alguém me mudaria. E não estou tão errada.


Poderia contar aqui como nos conhecemos, como demorou para me conquistar, como enfrentamos algumas barras para ficar juntos e enfim, depois de tudo isso, como me convenceu a dizer “Sim” diante do seu “Casa comigo?”. Não vou negar que naquele momento, com você ajoelhado à minha frente (igual nos filmes, sabe?), me senti a pessoa mais especial do mundo, a Escolhida e não tive dúvidas: Encontrei o meu príncipe!


Mas como diz uma velha conhecida “É no juntar das escovas de dente que mora o perigo”. Pode parecer exagerado mas não deixa de ser a maior verdade. A vivência do compartilhar vai além da essência da paixão. Por mais que se pareçam ou tenham muitas afinidades, são duas pessoas diferentes com criações diferentes em busca do mesmo objetivo: Ser feliz juntos. E para isso é necessário, mais que amor, muita paciência e concessão (de ambas as partes).


Foi-se o tempo onde os jovens casavam cedo porque eram obrigados. O estar junto é uma opção e como toda escolha tem suas consequências, afinal são dois seres distintos e por terem opiniões diferentes, divergem. O que o contrato nupcial não traz e o cotidiano conta direitinho são as complicações, momentos difíceis, dias ruins, as brigas. Mas aceitar é dizer sim para a toalha molhada largada no chão, sim para a espera no shopping entre uma compra e outra, sim para o “esqueci de descer o lixo”, para o “mudei o corte de cabelo e você nem reparou”, sim para cada vez que tenho vontade de desistir mas me lembro dos motivos que me fizeram acreditar que conseguiríamos juntos.


E na verdade, por mais que contem ou aconselhem, ninguém nunca vai estar 100% preparado para casar. Nenhum relacionamento é perfeito mas como um pouco de vontade e iniciativa é possível fazer dar certo. Para saber como agir, somente a vivência. E é ela que traz o amadurecimento suficiente para seguir em frente. Mas quer saber? Esse não é o meu final, mas estou vivendo feliz. Por mais que sempre haja pequenos nãos no dia-a-dia, se fosse preciso eu diria sim para tudo isso novamente.

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© 2026 por Duana Centenaro.

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