Sobre amores imperfeitos
- 14 de jan. de 2021
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Amores imperfeitos são, normalmente, impossíveis. E não me refiro àquela paixão adolescente avassaladora pelo Justin Timberlake. Digo das pessoas reais. Aquele amigo que é namorado da amiga, um primo, um desconhecido, alguém que mora muito longe, uma pessoa comprometida de alguma forma que – por algum motivo qualquer no mundo – é impossível para você. São aqueles casos em que você tem certeza absoluta que chegou tarde demais.
Mais do que atração, os amores imperfeitos são ladeados por sensações que só se despertam por causa das infinitas impossibilidades.
Pessoas que se entendem no olhar, agem como se tivessem um manual e já soubessem o que o outro vai fazer. Pessoas que se completam por si só, sem ter muita explicação para definir. Pessoas que apenas sentem e isso basta. Pessoas que você tem certeza que poderá passar os anos e ainda estarão guardadas em algum velho depósito de sentimentos, mas com uma boa lembrança. Pessoas que te completariam, não fosse o fato de que já são completas e que esse espaço definitivamente não está disponível para você.
Não adianta negar, por mais que não quisesse – ou pior que tenha sido - todo mundo já teve alguém assim e desejou um final feliz. Ou apenas um final. Mas vieram as intervenções, as convenções sociais e trajetórias de cada um e é neste momento em que o amor ganha o adjetivo deste título. E tudo não passa de um grande novelo novo de lã, tentador a ser puxado, em que é difícil conter o desejo de soltar e impossível de fazer voltar ao que era antes.
E nesses momentos a gente se pergunta “Se não era pra ser meu, então por que aconteceu dessa forma?”. Prefiro pensar que existe um motivo, incompreendido, é claro. Somos seres com a essência primitiva, sofremos primeiro, para depois pensar. E nesse momento a ilusão criada pela expectativa é mais forte que o discernimento e compreensão.
Mas tudo isso não muda o fato de que, por mais impossível e/ou imperfeito que seja, existiu. Ainda que para resgatar velhos sentimentos normalmente deixados de lado. Ainda que para fazer perceber que é possível viver, sentir e amar.
Prefiro lembrar da boa sensação do que guardar a decepção criada pela expectativa de ter encontrado alguém perfeito, meu impossível. Espero que assim seja. E que o coração não se feche novamente. Afinal tem coisa melhor que deixar a esperança chegar pertinho e bater à porta novamente? Quero estar aqui quando ela trouxer consigo outro amor. (Im)Perfeito para mim.