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Eu já tinha ouvido falar muito sobre ela. Que machuca. Dilacera. Recompõe. Faz valorizar. Todo mundo já a conheceu em algum momento, não há quem possa negar. Dizem que só existe na língua portuguesa, mas o sentimento de sentir falta não tem distinção de idioma.


Saudade é não saber o que fazer com as expectativas criadas, com as lágrimas que insistem em cair a cada lembrança ou pensamento sobre o futuro que foi alterado.


Sentir saudade é permitir-se sentir e entender o quanto o outro realmente faz parte da gente. É ficar com um sorriso e uma boa história sobre o passado que foi compartilhado. Sentir saudade é esperar ansiosamente pelo encontro futuro. É criar a expectativa de encontrar-se novamente.


Perceber que outra pessoa faz falta é importante para dar sentido à existência. Ninguém vive sozinho e as pessoas vão e voltam a todo tempo. É importante saber lidar com as idas e vindas e, mais que isso, conseguir captar o que existe de melhor em cada um que deixou seu registro em nossas vidas.

Só o que eu queria dizer hoje é que nessa caminhada encontramos pessoas tão iluminadas que são capazes de deixar muito mais que marcas. São aquelas por quem vale realmente sentir a dor da despedida. E, apesar do sofrimento, angústia e incerteza do futuro, o maior consolo de quem ficou é saber que estar ao lado de gente assim é ser contagiado pela alegria e satisfação de ter vivido bons momentos.


Criança é assim. Não cabe dentro de si. Não percebe o perigo, ou melhor, enxerga mas tem toda a coragem do mundo para enfrentar. A coragem do Super-Homem ou da Mulher Maravilha.

Acredita que é possível voar, mudar o mundo, ou só adotar e criar um panda em casa. Tem todas as esperanças... E os anjos da guarda a postos. Imagina um mundo onde unicórnios brilhantes lutam ao lado de policiais contra monstros malignos que querem roubar a terra. Ainda pode se esconder atrás de uma capa da invisibilidade e salvar a terra. E de quebra ainda ter uma princesa guerreira lutando junto. Criança é um ser único, invencível e ainda ganha presentes só por ser quem é. Quer vida melhor que a de criança?

Mas o tempo passa e junto com o rostinho de bebê que todo mundo bajula, perde toda essa essência mágica. E para onde vai aquela criança incrível que existia? Desaparece em meio aos problemas, dúvidas, medos, típicos de cada fase e chegamos a uma conclusão: Ser gente grande (ou “adultos”, como gostam de ser chamados) é muito chato – e difícil.

Mesmo com tudo isso, a vida trata de trazer naturalmente aquele ser tão esperançoso que habita em cada um. O tempo vai passando, as coisas vão mudando e novamente voltamos a ser criança. Vamos precisando de alguém que nos ajude. Retornamos à dependência. Talvez não com a mesma vitalidade, mas em troca com muito mais sabedoria e paciência. E assim vai se completando o ciclo da vida.

Independente do que aconteça, que nunca deixemos morrer a criança que existe em cada um. É ela que nos dá forças para seguir, imaginando um futuro promissor e resgatando sempre um passado digno das melhores lembranças.

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© 2026 por Duana Centenaro.

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