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Somos tão jovens, com tantos desejos, anseios, coragem e oportunidade. Somos os jovens que buscam se realizar, ser feliz, viajar, curtir os amigos e aproveitar a vida. Somos os jovens que nem sempre tem o apoio dos pais, que encontram barreiras nos estudos, dificuldades no trabalho. Mas que não desistem de tentar porque acreditam que no futuro as coisas vão melhorar.


Somos o jovem que está preso em uma gaiola com vontade de voar e não enxerga que a porta está aberta.


Por que quando jovens as coisas parecem mais desejáveis, no entanto nem tanto acessíveis? E por que quando crescemos, temos mais maturidade, experiência, dinheiro – e deveríamos ser mais felizes - nos tornamos mais secos, frios e descontentes?


Quando crescemos, para onde vai toda a ânsia de vida?


As pessoas crescem, estudam, casam, fazem aquilo que nos disseram ser o ideal para ter uma vida perfeita (?). Mas se é tão perfeito, por que cada vez é mais comum ver adultos frustrados, um mundo cheio de pessoas mecanizadas a ponto de assistir a própria vida passando sem fazê-la valer a pena?


Se temos tudo em nossas mãos, por que jogamos pro alto para procurar aquilo que nem sabemos se existe? Me respondam... Para onde vai a vida? O que acontece com o espírito jovem que existe em cada um?


Tenho medo que toda essa pressa de viver que exista em mim atualmente suma com o passar do tempo. Mais que qualquer coisa, tenho apenas um medo: Que a minha vida passe sem mim.


A vida é tão efêmera, curta demais pra perder tempo sem viver. Pense bem, se você morresse hoje, teria aproveitado suficiente tudo o que poderia? Teria experimentado tudo o que queria? Teria visitado os lugares que desejava? Teria rido sem se importar, dançado como se não tivesse ninguém olhando, conhecido pessoas interessantes e se apaixonado?


Mais triste do que virar um robô mecânico, é se tornar um infeliz escravo do tempo. Contador do resto de vida que ainda existe.

Nos devaneios da vida, às vezes me permito acreditar. Penso que coisas boas estão por vir e chegarão para mim com bons ventos de esperança. Geralmente isso acontece nos – poucos – momentos em que esqueço que faço parte de um grupo seleto da vida. São aquelas pessoas com quem o destino mais gosta de brincar. Carinhosa e intimamente, os chamo de "Pode Ser".


Me permitam tirar as aspas, para a definição. É simples, é prático.


Um Pode Ser é alguém que nunca tem opção. Isso mesmo. No trabalho, na vida amorosa, nos negócios, em tudo. Mesmo que queira outras opções, as boas nunca lhe chegam. E se vem, chegam tão “dos avessos” ou atravessadas, de tal forma que seria melhor que não tivessem vindo. Em suma, as circunstâncias sempre obrigam o Pode Ser a aceitar o que lhe vem, porque isso é máximo que tem. E se vier melhor, vai dar errado. Acredite.


E é esse o meu dilema. Sempre desejei que alguém me encantasse. Fizesse abrir os olhos para uma outra realidade, desvendada para poucos. Minha mãe sempre dizia “As pessoas nunca sabem o que pedem”. Ela estava certa. E eu deveria estar ciente disso. A vida já me provou tantas e tantas vezes antes.


Com palavra amiga e coração sempre pronto a ajudar, você chegou para me mostrar que não era hora de desistir da esperança. Mas o destino viu, encasquetou e apareceu para mostrar quem é que manda aqui! Virou tudo de cabeça para baixo, levantou poeira e foi embora deixando só o impossível. Eu sei que não é certo. Mas por que é que o certo nunca pode acontecer comigo?


Quer saber? Cansei. Fiz um trato com a solidão e decidi aceitar de vez a condição de escrava do Pode Ser. Parei de pedir, perguntar ou questionar e só vou seguir em frente, com o que vier. Pelo menos assim eu vou vivendo. Ou tentando.

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© 2026 por Duana Centenaro.

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