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Essa semana eu conversava com uma amiga que está grávida. Não bastasse os problemas pessoais que a colocam em uma situação de risco, ela também desabafava sobre como tem sido particularmente difícil viver esse momento mágico quando o mundo inteiro enfrenta o COVID-19.

Em tempos onde a proximidade e aperto de mão podem ser mortais, os riscos são ainda maiores para grávidas, pois pela falta de conhecimento sobre o vírus, não há como precisar quais são seus impactos sobre mulheres e seus bebês. Tudo acontece no momento mais importante e também de maior fragilidade emocional e instabilidade hormonal feminina.

Ela falava sobre as consultas pessoalmente sem acompanhantes (e o medo do contágio cada vez que tem que entrar em uma clínica), consultas online, a possibilidade do pai da criança não poder estar presente na hora do parto uma vez que muitos hospitais já proibiram, restrição de contato com familiares e amigos que nunca poderão vê-la nessa gravidez, o misto de alegria pela expectativa do filho “arco-íris” (gerado após um aborto natural) mas também a angústia porque não parece que há muito a ser celebrado – não há nem espaço para isso - quando o mundo está em crise e há tanta gente morrendo, sobre o nervosismo e a paranoia com o vírus após o nascimento do bebê, afinal a transmissibilidade é tão fácil de acontecer e, caso aconteça, como seria ter que lidar com o tratamento em um sistema de saúde afetado pelo COVID-19. Enfim, sobre como estava cansada de sentir como se estivesse perdendo esse momento único para uma pandemia global e também de se sentir egoísta por ter esses mesmos sentimentos.

E estou falando isso só porque, antes de conversar com essa amiga, não havia me dado conta do quanto ela poderia estar sofrendo ou como precisaria desabafar com alguém que não achasse que sua dificuldade importasse menos do que todo o caos que vivemos atualmente.

Meu pedido: apoie as grávidas durante o COVID-19. Aquelas que não podem celebrar esse momento único, aquelas que lutaram tanto e que agora sentem como se perdessem parte do encanto da estação. Diferente de outros tipos de eventos, uma gravidez não pode ser substituída, adiada ou cancelada. Só se vive uma vez. Faça o máximo para criar uma lembrança boa, mesmo com tantos empecilhos. No final das contas é só isso que vai restar. E a certeza de que dias melhores virão.

Não sei muito bem como eu sou.

Sou linda! Ah... Por que?? Não sei te responder isso agora, preciso parar para pensar. Não, não sou só um corpo com curvas, olhos e longos cabelos castanhos. Sou muito mais que só esse corpinho bonito (sou também uma pessoa muito modesta, né? Haha) Olha, tô até me descobrindo engraçada. Acho que já me falaram isso alguma vez. Nunca tinha parado para pensar, mas tô me dando conta que, desde pequena, na escola e até hoje em roda de amigos eu sempre sou a pessoa que faz rir. Hey, eu gosto disso. Gosto de você também, que faz eu querer saber mais sobre mim. Mas então, você ia dizendo... É, às vezes sou um pouco crítica, mas não assim um jeito ranzinza de ser. Eu falo quando acho que é para melhorar e só faço isso por pessoas que eu gosto, por quem eu realmente quero que fique bem também. Mas nem sempre a boa intenção é aceita e ai já viu... Acabo metendo os pés pelas mãos. Tudo isso porque eu desejo ajudar alguém que quero bem! Mas se você quer saber, prefiro agir assim e ficar com a consciência tranquila por ter tentado. É... Concordo contigo, nem todos tem maturidade para entender mas também assumo que já me perdi tentando fazer do jeito certo. Hmm, do que eu gosto? Ah isso é fácil! Gosto muito de comer. Empada, cachorro-quente, espetinho... Mas o salgadinho de requeijão tem espaço especial em meu coração. Gosto de cachorros (queria todos os 101 dálmatas para mim!). Rir. Sair com as amigas. O cheiro do meu namorado. O meu namorado também (melhor dizer para que eu ainda tenha um quando ele acabar de ver isso!). Gosto muito de passar um dia inteiro largada no sofá, sem ter o que fazer, com uma camiseta velha ou moletom, assistindo Os padrinhos mágicos e rindo das besteiras do meu irmão. Você nem perguntou mas já vou dizer, odeio roxo e sofro muito assistindo o filme Click. Adam Sandler é o queridinho da América e eu o adoro, mas a ideia de comparar minha família com a história do filme me deixa mal... (Aliás, é normal se sentir assim?). Meu filme preferido? Essa é fácil! É aquele em uma patricinha rica é criada com um menino, e ele se torna um advogado, trabalha com o pai dela e eles brigam muito mas no final descobrem que são um apaixonado pelo outro. O nome dele é... é... Esqueci! É antigo, mas é sério, gosto muito dele, ainda vou lembrar o nome. Já deu pra perceber que sou bem esquecida e apesar disso gosto muito de datas. Mais do que receber presentes, gosto de presentear. Se minha situação financeira permitisse, sairia sempre por ai comprando ou fazendo lembranças para as pessoas que eu considero especiais. É, eu gosto muito de demostrar o que eu sinto, por meio de ações. Posso nem sempre exteriorizar mas fico muito feliz quando percebo que as pessoas se esforçam para demonstrar seus sentimentos. Por trás da casca dura sou uma manteiga derretida. (Só aqui entre nós, acho melhor esquecer essa parte porque se as pessoas souberem disso pode acabar com a minha fama de durona... E não foi fácil conquistá-la! Haha). Eu gosto muito de dormir também! Nossa, já está tarde e nem percebi... Soltei o verbo e perdi a hora, ainda bem que já tá pronto. Você parece uma boa pessoa. E eu também gosto de boas vibrações. Seja feliz. Obrigada e aproveite você também o seu lanche.

Hey, As patricinhas de Beverly Hills. Esse é o filme. Até algum dia.

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© 2026 por Duana Centenaro.

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