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A história começa com duas pessoas que se amaram tanto, prometeram estar sempre uma ao lado da outra e juraram que nada as separaria. Isso mesmo. Tudo no passado.


Hoje a festa passou, as fotos apagou, o sentimento não durou mas... Onde foi que erraram? Em que momento se quebrou a promessa do “sempre estarei contigo”? Em que momento o destino quis que cada um seguisse seu rumo independente das esperanças criadas ou expectativas cultivadas?


Sempre esperamos do amor a eternidade. Para Sempre é uma intenção mas não corresponde a realidade. Os fragmentos do amor no dia a dia são esquecidos. A rotina acomoda, o sentimento dilui, a presença não satisfaz e o outro já não é suficiente. São nesses pequenos intervalos em que o amor é esquecido. E vai murchando, diminuindo, até não restar nada – ou, nos melhores casos, pelo menos o respeito. O sentimento em si é vestígio. Tudo aquilo que torna ao outro perceptível.


Mas por que é tão difícil fazer-se perceber?


Assim como a amizade, o amor envolve troca e acima de tudo, coragem. É preciso coragem para assumir um sentimento, a necessidade do outro e aceitar a voz do próprio coração. Estar junto, mais que colocar um status em rede social, é desejar estar na mesma sintonia, vibrar com a alegria e compartilhar (de verdade, não via Facebook apenas). Mas nem todos estão dispostos a enfrentar.


Então, quando isso não acontece, o melhor a fazer é abrir as portas e permitir-se desbravar os sentimentos e libertar o coração.


Mas o que fazer com as promessas feitas, as músicas divididas, as lembranças, os lugares e as intimidades que outrora fizeram parte do Para Sempre? É quando nos permitimos seguir em frente que damos descanso ao coração e enxergamos outras experiências novamente. As lembranças não são apagadas, mas ficam em um departamento de coisas que já não são necessárias para sobreviver.


Assim conhecemos novas frequências e seguimos no embalo até encontrar uma nova sintonia, que se torne única e indispensável. E virão novas alegrias, tristezas, promessas e lembranças. Dignas de um real e verdadeiro “Felizes para sempre”. Ou até enquanto dure.

Nunca estivemos em uma era onde o poder tenha se manifestado de tal forma contestadora. As pessoas passam despercebidas pela vida em busca do controle de tudo. O mundo vive em busca de mais. Dinheiro. Poder. Sucesso. Ambição. Ganância. Mais, mais, sempre mais.


Tornou-se desnecessário parar, olhar para o lado e perceber que existe vida além do próprio umbigo. Criamos uma grande bolha do nosso próprio mundo, mas nem nos damos conta que ao lado um semelhante sofre sem as mínimas condições para sobreviver. Pessoas passam fome, não tem um lar, perdem entes queridos, não tem um emprego, vivem sozinhas, abatidas, angustiadas, se sentindo insuficientes ou um pedaço mal feito de uma sociedade exclusiva e excluída. Tantas ações são feitas sem pensar nos outros, no futuro, nas consequências. Pessoas são feridas, mortas, injustiçadas, tudo isso resultado de ações em massa desenfreadas em busca de... Do que mesmo? Que motivo é suficiente para justificar que ao seu lado alguém não mereça o mínimo de respeito e amor? Sinceramente, desconheço.


Todos nós somos responsáveis. Mas nem todos são vítimas. Às vezes eu, às vezes você. Hoje pode ser comigo... Mas já parou para pensar que amanhã pode ser com você?


E assim vamos (sobre)vivendo.


Me preocupo com o depois. Me pergunto onde vamos parar. Não é esse o futuro que eu quero deixar para as próximas gerações. Não quero ter que contar aos meus filhos que na minha época as pessoas perderam o valor da vida, matavam por motivos banais e roubavam o povo, não só no senado mas também nas ruas sem segurança. Não quero ser obrigada a contar que se não se preocupavam com seres humanos, pensavam muito menos na preservação dos animais e do meio ambiente.


Sinceramente, não gostaria de ter que INVENTAR histórias que eu gostaria que fossem reais no meu tempo. Queria mesmo que fossem verdadeiras. Histórias de pessoas se importavam umas com as outras, que ainda se lembravam de como era o amor e do quão longe ele pode nos levar, pessoas que não conseguiram resolver todos os problemas do planeta mas que tentavam fazer a sua parte, dar o máximo de si, dentro do seu próprio mundo.


Por mais difícil que seja, não vou me render aos anseios desse mundo. Farei o que for possível para deixar a minha marca. Tentar um mundo melhor pode parecer loucura. Uns diriam que é utopia. Eu prefiro chamar de fé na humanidade.

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© 2026 por Duana Centenaro.

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