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Para Melina a vida sempre foi assim: Pés na terra e cabeça no céu. Diferente de todo mundo, punha-se a pensar sempre lá no alto. No fundo, se recusava do contrário.

Balões, aviões, pássaros, super-heróis, o céu todinho com estrelas e a lua a iluminar... Por que coisas legais sempre estavam buscando o alto? Por que a dona Gravidade insistia em fazê-la manter os pés no chão?

Sonhava com nuvens, tocar as cores, ver lá de cima as pequenices dessa vida. Já andara de avião e foi tamanha alegria que não queria mais descer. A vida do alto é sempre mais bonita. Pensou até em ser piloto ou comandante, assim voaria sempre... Mas em algum momento teria que retornar ao chão. E não é um bom lugar.

No chão, Melina via sonhos vazios, tristezas, mazelas de vidas sem vida. E eram as grandezas lá do alto que a encantavam. No chão, os pés tocavam a realidade e abriam os olhos para um mundo sem cor.

Era lá encima que queria estar. Quem sabe como poderia voar? Ganhar asas era impossível, mas por que não tentar?

E em busca lá do alto, pensou numa escada! Foi subindo, foi subindo... Degrau por degrau. Já não via mais a casa, as pessoas ou outra coisa, tudo o que sentia era o vento no rosto e o coração voando.

Tocou naquela nuvem e foi subindo, foi subindo... E assim nunca parou.

Se encheu de alegria, mas tanta alegria, que não coube em si. Explodiu de felicidade, virou fragmentos. E os pedacinhos de sonhos, vida a iluminar. Assim surgiu, lá no alto, uma estrela especial. Melina, tão grande como os sonhos, tão doce como o céu.

Enfim realizou-se: Para sempre, para cima.

As pessoas costumam dizer que a vida é dividida em ciclos. Fases de tudo. Fases para tudo.

Tem tempo para começar e terminar a infância, tempo para começar e terminar a adolescência, tempo para começar e terminar um amor (quando não dá certo), tempo para começar e terminar o ‘sentir’ uma grande dor ou perda, tempo para começar e terminar as pequenas e grandes alegrias da vida... Tudo isso e muito mais, para que sempre possamos continuar seguindo em frente.

Imagine aqueles experimentos com ratinhos de laboratórios que ficam correndo numa roda em busca de alguma comida, que seria o prêmio por tamanho esforço. Assim somos nós. Os ciclos que iniciamos são as nossas motivações. A diferença das duas situações é que no nosso caso, levamos os impactos dessa ação para a vida toda.

Nem todo ciclo tem um final feliz, como desejamos. Seja uma amizade que não deu certo ou um amor não correspondido, o faro é q eu nem todo ciclo acontece como planejamos. Seja um trabalho ou um objetivo pessoal. Às vezes, os ciclos vão ficando sem final. E não sabemos o que fazer com eles. Onde depositar as expectativas que foram criadas ou o que fazer com as esperanças nutridas a partir daquele desejo?

Então optamos por deixá-los incompletos. Vão ficando de lado e criamos novo ciclo. Esse novo também não dá certo e, junto com o outro, é esquecido. E assim sucessivamente. Dessa forma, construímos nossas confusões. Sem espaço, nos vemos diante de grandes problemas, formados por pequenas incompletudes. Quando nos damos conta, não é possível ter novos inícios. E o que fazer se são eles que nos motivam?

Encerrar é preciso.

Todo início tem que ter um fim, para que complete um ciclo. Uma fase é passageira, ainda assim, é preciso ter domínio disso para que as coisas pequenas não tomem conta daquilo que nós somos. Encerrar um ciclo, especialmente aqueles em que mais depositamos nosso empenho, não é fácil. Muitas vezes é doloroso, carnal e leva um tempo para cicatrizar. Não o tempo que queremos... Mas algo especial, porque cada ciclo tem seu tempo de nascer e se morrer.

Não adianta apressar ou fingir que não sabe do que se trata.

Assim como um início, o fim tem o seu objetivo e ignorá-lo é tão eficaz quanto varrer os problemas para debaixo do tapete. Em algum momento voltarão trazendo ainda mais sujeira. No caso dos ciclos, nos lembrando das experiências incompletas. Todo fim de ciclo vale a pena, independente de como tenha terminado, pois são eles que nos motivam para novos começos.

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© 2026 por Duana Centenaro.

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