Doce como o céu
- 22 de set. de 2020
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Para Melina a vida sempre foi assim: Pés na terra e cabeça no céu. Diferente de todo mundo, punha-se a pensar sempre lá no alto. No fundo, se recusava do contrário.
Balões, aviões, pássaros, super-heróis, o céu todinho com estrelas e a lua a iluminar... Por que coisas legais sempre estavam buscando o alto? Por que a dona Gravidade insistia em fazê-la manter os pés no chão?
Sonhava com nuvens, tocar as cores, ver lá de cima as pequenices dessa vida. Já andara de avião e foi tamanha alegria que não queria mais descer. A vida do alto é sempre mais bonita. Pensou até em ser piloto ou comandante, assim voaria sempre... Mas em algum momento teria que retornar ao chão. E não é um bom lugar.
No chão, Melina via sonhos vazios, tristezas, mazelas de vidas sem vida. E eram as grandezas lá do alto que a encantavam. No chão, os pés tocavam a realidade e abriam os olhos para um mundo sem cor.
Era lá encima que queria estar. Quem sabe como poderia voar? Ganhar asas era impossível, mas por que não tentar?
E em busca lá do alto, pensou numa escada! Foi subindo, foi subindo... Degrau por degrau. Já não via mais a casa, as pessoas ou outra coisa, tudo o que sentia era o vento no rosto e o coração voando.
Tocou naquela nuvem e foi subindo, foi subindo... E assim nunca parou.
Se encheu de alegria, mas tanta alegria, que não coube em si. Explodiu de felicidade, virou fragmentos. E os pedacinhos de sonhos, vida a iluminar. Assim surgiu, lá no alto, uma estrela especial. Melina, tão grande como os sonhos, tão doce como o céu.
Enfim realizou-se: Para sempre, para cima.