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Durante muito tempo me fechei para as pessoas. O medo foi sempre meu melhor amigo e um jeito cômodo e prático de proteção. Pode ser covarde, mas me esconder do amor era a melhor forma de me proteger e viver segura onde só entra quem eu permito.

Às vezes soa como um defeito, querer sempre ter o controle da vida. Mas não passa do desejo me manter imune às coisas das quais não sei como reagir. Nunca gostei do que eu não conheço, do que não sei definir, do que não tem nome ou do principal nome que eu costumo fugir.

E deu certo por muito tempo. Até você chegar e mudar minha vida do avesso. Veio de mansinho. Leve como a brisa. Intenso como um furacão. Levando consigo tudo: as convicções, os medos e as frustrações. Mas também deixou rastros. A novidade, a expectativa e um turbilhão de sensações que ainda não sei dizer, só sentir.


Todas as bases sólidas onde concretizei, meus medos e pensamentos voaram pelos ares com apenas um olhar e um sorriso seu. Parece tão pouco diante da certeza que eu tinha que nunca permitiria que alguém tirasse meu chão novamente.


Em tão pouco tempo fez com que eu me soltasse de tudo que prendia ao meu maior medo: o de me entregar. Mais que isso, abriu as janelas que estavam fechadas, sacudiu meus pensamentos e jogou fora tudo aquilo que era desnecessário, atrapalhava e me impedia de viver claramente em uma casa nova, um coração limpo para amar.

Gosto do Natal. Não pelos presentes, comilanças ou Papai Noel. Muito menos pelos almoços de família regados a perguntas inconvenientes e sorrisos de tudo bem. Mesmo para quem é descrente do significado religioso da data, é impossível não se deixar levar pela “Magia do Natal” ao ver as luzes piscando pelos cantos da cidade. Entendo que a data virou um evento comercial (o mais esperado e lucrativo), no entanto, mesmo assim é impossível não entrar no clima.

Geralmente começa no final de novembro e segue até meados de janeiro. Mas dezembro é o ápice da unidade e alegria. Na verdade, amo o Natal porque é o período em que as pessoas se permitem serem solidárias e enxergam o semelhante como a si mesmo. Talvez seja essa a essência do clima que sempre fica no ar.


Porque com a possibilidade de um novo ano, nós aceitamos com esperança e coragem que temos um ciclo a encerrar e uma nova fase vai começar. Durante a empolgação da mudança surgem as listas de desejos para o próximo ano. E a esperança é presente em todos os lugares. Até mesmo naqueles que não tem muito o que esperar.


Para mim poderia ser Natal o ano inteiro, todos os dias. Quem sabe se vivêssemos sempre com esse espírito valorizaríamos mais as coisas que temos, as pessoas, a família, os amigos, o trabalho e até mesmo as dificuldades. Com certeza seríamos pessoas melhores. E faríamos o bem ao outro também.


Mas depois das comemorações não leva muito tempo até você tirar os enfeites da sala, desistir da dieta que começou, dos exercícios que não continuou, do emprego que não mudou. E tudo volta como era antes. A linda mágica pegou carona no trenó e foi embora para o Polo Norte, talvez.


Levo tão a sério essa filosofia que me recuso a tirar o enfeite ou as luzes do pisca-pisca das portas da minha casa, ainda que tenham passado o ano todo lá. Muita gente que me visita pergunta porque ainda os deixo lá durante todo o tempo. Sinceramente, acredito que cada vez que eu olho ou acendo as luzes sinto de novo aquela sensação boa de esperança. Já decidi: as coisas vão continuar lá até o próximo Natal. Assim sempre farão sentido para mim – e para quem mais quiser sentir também.


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© 2026 por Duana Centenaro.

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