Sobre pessoas ‘Pode Ser’
- 7 de jan. de 2021
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Nos devaneios da vida, às vezes me permito acreditar. Penso que coisas boas estão por vir e chegarão para mim com bons ventos de esperança. Geralmente isso acontece nos – poucos – momentos em que esqueço que faço parte de um grupo seleto da vida. São aquelas pessoas com quem o destino mais gosta de brincar. Carinhosa e intimamente, os chamo de "Pode Ser".
Me permitam tirar as aspas, para a definição. É simples, é prático.
Um Pode Ser é alguém que nunca tem opção. Isso mesmo. No trabalho, na vida amorosa, nos negócios, em tudo. Mesmo que queira outras opções, as boas nunca lhe chegam. E se vem, chegam tão “dos avessos” ou atravessadas, de tal forma que seria melhor que não tivessem vindo. Em suma, as circunstâncias sempre obrigam o Pode Ser a aceitar o que lhe vem, porque isso é máximo que tem. E se vier melhor, vai dar errado. Acredite.
E é esse o meu dilema. Sempre desejei que alguém me encantasse. Fizesse abrir os olhos para uma outra realidade, desvendada para poucos. Minha mãe sempre dizia “As pessoas nunca sabem o que pedem”. Ela estava certa. E eu deveria estar ciente disso. A vida já me provou tantas e tantas vezes antes.
Com palavra amiga e coração sempre pronto a ajudar, você chegou para me mostrar que não era hora de desistir da esperança. Mas o destino viu, encasquetou e apareceu para mostrar quem é que manda aqui! Virou tudo de cabeça para baixo, levantou poeira e foi embora deixando só o impossível. Eu sei que não é certo. Mas por que é que o certo nunca pode acontecer comigo?
Quer saber? Cansei. Fiz um trato com a solidão e decidi aceitar de vez a condição de escrava do Pode Ser. Parei de pedir, perguntar ou questionar e só vou seguir em frente, com o que vier. Pelo menos assim eu vou vivendo. Ou tentando.