Sobre a vida
Criança é assim. Não cabe dentro de si. Não percebe o perigo, ou melhor, enxerga mas tem toda a coragem do mundo para enfrentar. A coragem do Super-Homem ou da Mulher Maravilha.
Acredita que é possível voar, mudar o mundo, ou só adotar e criar um panda em casa. Tem todas as esperanças... E os anjos da guarda a postos. Imagina um mundo onde unicórnios brilhantes lutam ao lado de policiais contra monstros malignos que querem roubar a terra. Ainda pode se esconder atrás de uma capa da invisibilidade e salvar a terra. E de quebra ainda ter uma princesa guerreira lutando junto. Criança é um ser único, invencível e ainda ganha presentes só por ser quem é. Quer vida melhor que a de criança?
Mas o tempo passa e junto com o rostinho de bebê que todo mundo bajula, perde toda essa essência mágica. E para onde vai aquela criança incrível que existia? Desaparece em meio aos problemas, dúvidas, medos, típicos de cada fase e chegamos a uma conclusão: Ser gente grande (ou “adultos”, como gostam de ser chamados) é muito chato – e difícil.
Mesmo com tudo isso, a vida trata de trazer naturalmente aquele ser tão esperançoso que habita em cada um. O tempo vai passando, as coisas vão mudando e novamente voltamos a ser criança. Vamos precisando de alguém que nos ajude. Retornamos à dependência. Talvez não com a mesma vitalidade, mas em troca com muito mais sabedoria e paciência. E assim vai se completando o ciclo da vida.
Independente do que aconteça, que nunca deixemos morrer a criança que existe em cada um. É ela que nos dá forças para seguir, imaginando um futuro promissor e resgatando sempre um passado digno das melhores lembranças.