Sobre esquecimento
- 22 de jan. de 2021
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A história começa com duas pessoas que se amaram tanto, prometeram estar sempre uma ao lado da outra e juraram que nada as separaria. Isso mesmo. Tudo no passado.
Hoje a festa passou, as fotos apagou, o sentimento não durou mas... Onde foi que erraram? Em que momento se quebrou a promessa do “sempre estarei contigo”? Em que momento o destino quis que cada um seguisse seu rumo independente das esperanças criadas ou expectativas cultivadas?
Sempre esperamos do amor a eternidade. Para Sempre é uma intenção mas não corresponde a realidade. Os fragmentos do amor no dia a dia são esquecidos. A rotina acomoda, o sentimento dilui, a presença não satisfaz e o outro já não é suficiente. São nesses pequenos intervalos em que o amor é esquecido. E vai murchando, diminuindo, até não restar nada – ou, nos melhores casos, pelo menos o respeito. O sentimento em si é vestígio. Tudo aquilo que torna ao outro perceptível.
Mas por que é tão difícil fazer-se perceber?
Assim como a amizade, o amor envolve troca e acima de tudo, coragem. É preciso coragem para assumir um sentimento, a necessidade do outro e aceitar a voz do próprio coração. Estar junto, mais que colocar um status em rede social, é desejar estar na mesma sintonia, vibrar com a alegria e compartilhar (de verdade, não via Facebook apenas). Mas nem todos estão dispostos a enfrentar.
Então, quando isso não acontece, o melhor a fazer é abrir as portas e permitir-se desbravar os sentimentos e libertar o coração.
Mas o que fazer com as promessas feitas, as músicas divididas, as lembranças, os lugares e as intimidades que outrora fizeram parte do Para Sempre? É quando nos permitimos seguir em frente que damos descanso ao coração e enxergamos outras experiências novamente. As lembranças não são apagadas, mas ficam em um departamento de coisas que já não são necessárias para sobreviver.
Assim conhecemos novas frequências e seguimos no embalo até encontrar uma nova sintonia, que se torne única e indispensável. E virão novas alegrias, tristezas, promessas e lembranças. Dignas de um real e verdadeiro “Felizes para sempre”. Ou até enquanto dure.