Hoje fui enviar uma candidatura de emprego e me peguei escrevendo uma carta no e-mail. Oh, no! Totalmente contra quaisquer regras formais de recolocação profissional no mercado de trabalho. Oh, no! Ninguém quer no final de uma semana conturbada receber um desabafo/pedido de emprego. Oh, no! Não tô nem ai, mandei mesmo assim – porque somos todos humanos no final de contas.
Tem sido dias difíceis, pra todo mundo, eu sei.
Enquanto tentava descrever o porquê eu deveria pelo menos poder ter uma oportunidade de mostrar que sou a melhor opção para a empresa, me dei conta de como é a minha relação com meu trabalho de forma geral.
Pra quem conhece e já trabalhou comigo: 100% ligada, cabeça à mil, jogada de cara e dedicada ao extremo ao que estou produzindo. Compulsiva. Me manda fazer um texto eu volto com cinco. Me peça uma ideia eu trago não só a ideia, como uma sugestão de execução. Eu simplesmente não consigo me controlar. Quando estou trabalhando onde posso explorar meu potencial, é como se ligasse um botão e meu cérebro simplesmente fica ativo sempre. [Prova disso é que só em cogitar esse emprego, me fez refletir sobre meus sentimentos e despertar o desejo de voltar aqui para escrever depois de meses sem ter nem um pingo de inspiração para abrir o bloco de notas!].
Eu sei, eu sei que a gente tem que procurar um equilíbrio entre vida pessoal e profissional, mas quando meu profissional está bem eu simplesmente sou a pessoa mais realizada do mundo e nada mais importa. Mesmo. Infelizmente, pra mim, a realização pessoal está diretamente ligada com a ideia de “estou sendo útil de alguma forma?”.
Sinto que, ao trabalhar, preciso fazer algo que mude a vida de alguém, que não estou ali só para bater ponto e cumprir horário. Trabalhar desmotivada, só para ter um salário e sobreviver, é cortar as minhas asas. Ter uma relevância é quase um sonho meio irreal me parece. Sempre que vejo alguém uma posição que eu gostaria de estar, imagino que talvez seja culpa da minha formação não ter sido em uma das melhores faculdades, ou de eu não estar em grandes centros onde existem mais oportunidades, ou simplesmente me culpo por não estar me dedicando o suficiente para chegar naquele mesmo patamar.
Eu mando e-mails e a sensação é quase como se eu tivesse pedindo desculpas por pelo menos cogitar tentar crescer em um bom trabalho, uma boa empresa. Algo como “sei que você está procurando por alguém mais bem recomendado, com QI, mas se me der uma chance eu juro mesmo que posso atender suas expectativas e ainda mais. JURO!”. Nunca escrevi isso, mas o sentimento é esse.
Aí eu cheguei na situação atual. Tenho a sensação que o tempo está passando e, ao invés de estar produzindo, estou gastando as minhas energias tentando fazer o melhor com o pouco que possuo. Para mim, não é suficiente. Eu queria muito não ser dependente da ideia da realização profissional para ser bem sucedida ou feliz.
Confesso que não é a primeira vez que tento uma vaga para trabalhar nessa empresa. Me parece um lugar onde se pode crescer, aprender, exercer o direito de ser feliz enquanto trabalha. Nem sei qual será o retorno. Talvez seja outro não, como o primeiro. Mas não será o último.
Persistência é o que me resta. Não só nessa empresa, mas digo na vida mesmo. Eu vou continuar empurrando, tentando abrir as portas do meu caminho, mesmo quando me parece meio impossível. Penso que pelo menos estou tentando algo que realmente seja válido, que tenha sentido.
No mais, espero que seja um final de semana de paz e um sinal de recomeço - para todos nós. ★