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“Bom, como falar do amor, se nunca vivi o amor? Porém venho dizer do amor que eu fiz parte, na qual fui gerada. Meus pais são os culpados por eu acreditar e esperar tanto no amor. Pedro e Julia se conheceram no Paraná através de uma amiga em comum, Ana, que era apaixonada por Pedro. Certo dia essa amiga bebeu muito, pela decepção que teve com ele e foi acompanhada pelos dois para casa. Logo ao deixar a amiga em casa, Pedro e Julia seguiram, na despedida a moça olha para ele e diz "Não vai cobrar a carona até aqui?" e sem nenhuma palavra Pedro a beija. Assim começou a história de um verdadeiro amor. Sucessivamente eles começam a se ver na igreja, trocavam carinhos e, ainda que seus pais não gostassem do rapaz, Julia lutava por ele. Ainda não contei o pior, Pedro bebia demais (todos os dias) e era muito ciumento. Mas dizem que o amor verdadeiro faz com que amemos até os defeitos uns dos outros e foi bem isso que aconteceu. Passou-se um tempo, por volta de seis meses de namoro quando eles começaram a morar juntos, mesmo não tento nada, além do amor. Com pouco dinheiro conseguiam pagar o aluguel de uma pequena e velha casinha. Apesar disso, o principal problema era o descontrole de Pedro com a bebida. Por vezes Julia tinha que buscá-lo nos bares... Que amor não!? Algum tempo depois, grávida de três meses do primeiro filho, Julia decidiu largar tudo e voltar para a casa dos seus pais, no Mato Grosso, que não sabiam da gravidez de risco. A moça sofreu muito e em seu quarto chorava constantemente de saudade. O bebê? Sabia de todos os problemas e tão pequeno já era o consolo da mãe. Tamanha ligação as pessoas, principalmente a família, sentem até hoje. Passou um mês até Pedro ligar e jurar que iria à Igreja com ela, participaria de encontro de casal e pararia de beber, de uma vez por todas. Como prometido, ele foi no encontro e a quase 20 anos não coloca nada de álcool em sua vida. Como havia dito, a gravidez era de risco, e quando Julia teve hemorragia eles foram no médico que disse que o bebê estava morto. Pedro não queria aceitar a situação. Antes de deixar a mulher entrar na sala para retirar o bebê, mesmo sem dinheiro levou os corações que batiam por ele à outra cidade. Ao chegar examinaram Julia e na ultrasson ouviram o coraçãozinho batendo com sede de viver... Até ele nascer foi um cuidado muito grande para que nada acontecesse. Enfim Heitor nasceu para alegria do casal. Lindo, sorridente e cheio de amor. Sem dinheiro e em uma luta constante o casal valorizava tudo o que tinha ou ganhava. Após um ano, finalmente saiu o casamento que foi organizado por eles mesmo, tudo em conjunto e com muito amor! E então eu nasci depois de um ano :D Não dei trabalho na gravidez, talvez seja por isso que dou agora rsrsrs. A família que foi gerada de um grande amor e oração sempre teve Deus como base de suas vidas. Ele fez com que o destino se cruzasse e o sofrimento virasse apenas um pequeno obstáculo para que a glória se manifestasse. Depois de tudo isso, só tenho a dizer: acredite no amor. Aceite as incertezas, pois é com elas que construímos as certezas. Meus pais passaram por muitas provações e continuam firmes, isso porque a palavra perdão está sempre em seus vocabulários, fazendo com que não desistissem jamais do seu passado, presente e futuros juntos. Deixo aqui a minha experiência de amor, com a esperança de eu também encontrar o meu, para viver na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte seja mais forte que o desejo de amar eternamente e acabar com a ilusão de ser mortal. Beijinhos.”


Obs. Baseado em fatos reais. Os nomes foram alterados para preservar a identidade das pessoas, mas peço que leiam com carinho essa história que resultou em uma grande família. Com carinho, espero que gostem! :)

Recentemente me flagrei pensando que várias pessoas da minha convivência estão casadas ou prestes a casar. Uma amiga, alguém do trabalho, uma conhecida... O que me chamou a atenção é que são pessoas jovens. O que chega a ser até uma ironia considerando que vivemos no tempo onde valores como independência e liberdade estão diretamente inseridos na juventude. O tempo em que os jovens casavam cedo era o dos nossos avós e ainda assim não era por opção própria.


Essa evolução das gerações está ai e mostra a tendência do futuro: regredir. É como se o processo tivesse começado quando as pessoas casavam jovens demais e por obrigação, depois conquistou-se o direito de escolher com quem e quando casar e junto com isso, perdeu-se os limites e também o desejo de assumir as relações. Agora, as pessoas estão na tentativa de resgatar valores e conceitos que foram perdidos no decorrer do tempo.


Apesar de casamento ser uma palavra que – ainda – assusta, tanto homens quanto mulheres, a aceitação é sinal de que estão em busca de algo que não encontraram no ímpeto desenfreado da vida “avulsa”.


Vejo pessoas construindo sua própria família e penso que são pessoas quanto eu, poderia ser comigo também. Mas sinceramente não me vejo nessa situação. Não ainda. Quem sabe um dia.


Talvez esse seja o mal do século: a escolha pela independência emocional e financeira. Ainda assim, sou fã dos bons costumes. Confesso que admiro verdadeiramente quem tem coragem de dar vida a um sentimento, que se dispõe a construir um futuro acompanhado. Mais que isso, desejo que consigam resistir às provações do mundo e do relacionamento para que vivam na paz e na felicidade dos momentos do dia-a-dia.

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