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Custei a aceitar.

Demorei a perceber a força que existe em mim.

Talvez por nunca antes ter precisado ser forte.

Agora é fácil, natural.

Antes não era, nunca foi real.

Quando passei a me aceitar, entendi que a dor haveria de ficar para trás e fui em busca de uma nova vida.

Agora eu sei.

O mundo pode até tentar, mas não me destrói mais.

Posso cair, mas sei que algo em mim vai querer levantar e seguir em frente.

Sinto-me segurança sem fim, com disposição para ir sempre mais além.

Não desistir.

A ausência foi sentida, vivida, suprida e não busquei em outro lugar.

O amor está – e sempre esteve - em mim. A fortaleza sou eu.

Com meu cão aprendi que não importa quanto tempo eu fique fora, trinta dias ou quinze minutos para ir ao mercadinho da esquina, sempre serei recebido como se a maior alegria da sua vida fosse cada reencontro.


Não importa se um dia esqueci-me de trocar sua água ou o deixei para fora de casa. Nem me culpa por ser preguiçoso demais por preferir ficar sentado no sofá à levá-lo passear na rua ou ir brincar de atirar bolinhas para que ele vá correndo buscar e trazê-la de novo, e de novo, de novo, de novo...


Por mais triste que esteja ou mais sozinho que eu queira ficar, sempre tem um olhar de acalento, proteção e a companhia discreta e presente, como se entendesse de toda a dor que há no mundo. É o jeito que encontra para tirar todo o sofrimento que nos aflige e dizer que vai passar, vai ficar tudo bem. E fica.


Nem se abala naquele dia em que chego em casa estressado ao final de um dia de trabalho daqueles e o encontro todo alegre e receptivo, pulando e sacudindo, morrendo de saudades, um jeito único de pedir um pouquinho de carinho e atenção. Sinceramente, talvez carinho e atenção seja o que eu menos posso oferecer, além de paciência. Então grito, o chuto para o lado, alegando estar sujando minhas calças novas ou estragando minha roupa. Se afasta. De longe observa. E em pouco tempo está de volta ao meu redor. Sábio é ele, que entendeu que quem mais precisava de carinho naquele momento era eu. E novamente lá está ele, ao meu lado.


Cães sabem muito mais sobre o perdão do que nós humanos.


Aprendi que nada é mais sincero que o carinho recebido por meio de lambeijos (lambidas + beijos), marcas de terra das patas estampadas nas roupas, sujeiras pela casa, quintais cavoucados ou lixos revirados.


Por mais sofrido que seja, ainda que eu diga “não quero mais nenhum cachorro depois que este se for”, sempre haverá espaço para mais um. E o carinho por aquele sempre fica ali, junto com as várias lembranças.

Acima de tudo aprendi que a relação cultivada é a mais verdadeira que existe e não há o que substitui saber que sempre estarão ali – aprontando peripécias com seus olhares piedosos de quem quer o melhor pedaço de carne - e, mesmo sem dizer palavra alguma, expressam o maior significado: do amor. Dizem que os cães se parecem com os donos. Mas, sinceramente, eu gostaria de parecer com meu cão. Meu fiel, meu amigo, talvez a melhor parte de mim. #RIPPituxa (30 de janeiro 2014)

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© 2026 por Duana Centenaro.

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