E se fosse Natal o ano inteiro?
- 25 de dez. de 2020
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Gosto do Natal. Não pelos presentes, comilanças ou Papai Noel. Muito menos pelos almoços de família regados a perguntas inconvenientes e sorrisos de tudo bem. Mesmo para quem é descrente do significado religioso da data, é impossível não se deixar levar pela “Magia do Natal” ao ver as luzes piscando pelos cantos da cidade. Entendo que a data virou um evento comercial (o mais esperado e lucrativo), no entanto, mesmo assim é impossível não entrar no clima.
Geralmente começa no final de novembro e segue até meados de janeiro. Mas dezembro é o ápice da unidade e alegria. Na verdade, amo o Natal porque é o período em que as pessoas se permitem serem solidárias e enxergam o semelhante como a si mesmo. Talvez seja essa a essência do clima que sempre fica no ar.
Porque com a possibilidade de um novo ano, nós aceitamos com esperança e coragem que temos um ciclo a encerrar e uma nova fase vai começar. Durante a empolgação da mudança surgem as listas de desejos para o próximo ano. E a esperança é presente em todos os lugares. Até mesmo naqueles que não tem muito o que esperar.
Para mim poderia ser Natal o ano inteiro, todos os dias. Quem sabe se vivêssemos sempre com esse espírito valorizaríamos mais as coisas que temos, as pessoas, a família, os amigos, o trabalho e até mesmo as dificuldades. Com certeza seríamos pessoas melhores. E faríamos o bem ao outro também.
Mas depois das comemorações não leva muito tempo até você tirar os enfeites da sala, desistir da dieta que começou, dos exercícios que não continuou, do emprego que não mudou. E tudo volta como era antes. A linda mágica pegou carona no trenó e foi embora para o Polo Norte, talvez.
Levo tão a sério essa filosofia que me recuso a tirar o enfeite ou as luzes do pisca-pisca das portas da minha casa, ainda que tenham passado o ano todo lá. Muita gente que me visita pergunta porque ainda os deixo lá durante todo o tempo. Sinceramente, acredito que cada vez que eu olho ou acendo as luzes sinto de novo aquela sensação boa de esperança. Já decidi: as coisas vão continuar lá até o próximo Natal. Assim sempre farão sentido para mim – e para quem mais quiser sentir também.