Sobre o medo de se entregar
- 31 de dez. de 2020
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Durante muito tempo me fechei para as pessoas. O medo foi sempre meu melhor amigo e um jeito cômodo e prático de proteção. Pode ser covarde, mas me esconder do amor era a melhor forma de me proteger e viver segura onde só entra quem eu permito.
Às vezes soa como um defeito, querer sempre ter o controle da vida. Mas não passa do desejo me manter imune às coisas das quais não sei como reagir. Nunca gostei do que eu não conheço, do que não sei definir, do que não tem nome ou do principal nome que eu costumo fugir.
E deu certo por muito tempo. Até você chegar e mudar minha vida do avesso. Veio de mansinho. Leve como a brisa. Intenso como um furacão. Levando consigo tudo: as convicções, os medos e as frustrações. Mas também deixou rastros. A novidade, a expectativa e um turbilhão de sensações que ainda não sei dizer, só sentir.
Todas as bases sólidas onde concretizei, meus medos e pensamentos voaram pelos ares com apenas um olhar e um sorriso seu. Parece tão pouco diante da certeza que eu tinha que nunca permitiria que alguém tirasse meu chão novamente.
Em tão pouco tempo fez com que eu me soltasse de tudo que prendia ao meu maior medo: o de me entregar. Mais que isso, abriu as janelas que estavam fechadas, sacudiu meus pensamentos e jogou fora tudo aquilo que era desnecessário, atrapalhava e me impedia de viver claramente em uma casa nova, um coração limpo para amar.