
Leia ouvindo: Little House (Amanda Seyfried)
Não há mais tempo, não há vontade, sem novas chances. Nunca mais serei o mesmo. Não voltarei ao passado. Não seremos novamente. Já não existe nós. Nunca tinha a visto daquele jeito e não queria que fosse essa a última imagem a ser lembrada - ou esquecida. Não foi um até breve, volto logo ou te vejo depois. Entrou no carro, bateu a porta forte e entre choros e soluços, enfurecida, aquele foi o último adeus.
Era o rosto que eu tanto entendia, conhecia mais que a mim mesmo, porém com uma expressão que eu não reconhecia ou não desejaria reconhecer. A verdade dispersa, livre de palavras, presente no olhar. Não mais vida, alegria, paixão. Frio, temeroso, distante, raivoso. Seus olhos refletiram a dor. De todos os erros do mundo, não queria ter sido eu a cometê-lo. Falhei.
Assumo a culpa
Não nego
Fui eu
Culpa nenhuma vai trazê-la de volta. Culpa nenhuma vai amenizar minha dor. Culpa nenhuma extingue o sofrimento, diminui o arrependimento, extermina o amor.
Quero voltar atrás
Não dá
Tentei
Sinto fragmentado. Em cada lembrança um traço. Em cada canto estou. Quando tudo junto, toda parte é você. E ainda que esteja em pedaços, sou mais tudo, não sou nada.
Não existe futuro
Tudo virou pó
E agora?
Mesmo despedaçado, insisto em me formar, se ao juntar tudo isso sinto que posso te encontrar. Te tenho a todo momento. Te tenho em toda lembrança. Te tenho dentro de mim. Te sinto porque sou eu. Ainda que não mais exista, eu vivo porque é você.
