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A praticamente um ano atrás o mundo estava se preparando para o grande apogeu. De acordo com o calendário maia, 21 de dezembro seria o fim dos tempos, em proporções épicas. Ninguém sabe como nem porque, mas logicamente, isso não aconteceu.


Mas entrando em clima de retrospectiva, a considerar pelos eventos de 2013, quem sabe não teria sido melhor que realmente a vida tivesse chego ao fim lá pelas bandas de 2012 mesmo. E fatos como desastres naturais, enchentes que causaram deslizamentos de terra, meteoros, incêndios devastadores, suicídios, filhos matando os pais (e vice-versa, no Brasil e no mundo), ataques terroristas, a Copa das Confederações (nosso primeiro teste falho para a Copa do Mundo e Olimpíadas), a evolução dos “quadradinhos” de oito/borboleta para twerk internacional estão ai para não me deixar mentir.


Por outro lado, se os maias tivessem acertado na contagem não viveríamos para ver a morte problemática de Hugo Chavez, o sofrimento do coração do Genoíno por viver nele, julgamento dos mensaleiros (como diria um funk qualquer: daqueeeele jeito!), uma Igreja mais aberta liderada por um Papa acolhedor dos pecadores redimidos após a renúncia do antigo líder ou ainda a mobilização dos jovens que foram às ruas de todo o país para protestar contra... Não foram só pelos vinte centavos!


Mas a questão aqui hoje não é essa.


Enquanto pensava em um ano atrás, lembro-me de como a fraude do Fim do Mundo, para muitos, resultou em parcelas e dívidas para o ano que iniciava. Teve gente que aproveitou para concretizar tudo o que queria, gastar o que não podia, fazer o que não devia, agir de acordo com a própria vontade sem pensar no depois pelo único e exclusivo motivo de não se preocupar com as consequências dessas ações. Sinceramente, aos olhos de muitos – a maioria – isso pode ter sido visto sob as lentes da inconsequência ou ilusão. Mas para outros, talvez realmente aqueles tenham sido os últimos dias, o último tempo, o fim da vida. E para os que foram, será que valeu a pena? Será que aproveitaram o presente que lhes foi dado?


Se você pudesse prever quanto tempo de vida ainda lhe resta, o que faria? O que se permitiria? Quais seus maiores desejos seriam libertados?


As pessoas tem o hábito de se privar de um doce quando dá aqueeela vontade, porque vai engordar. Deixam de programar uma viagem, porque gasta demais. Deixam pra outro dia um compromisso que poderia ser hoje. Vamos marcar alguma coisa? Sim, me liga, vamos combinar. Guardam a melhor roupa ou o melhor perfume esperando a ocasião especial. Mas esquecem que especial mesmo é o dia de hoje, porque ele é o presente e é agora que estamos vivos.


Quem se esconde atrás do marasmo da vida, não tem a menor qualificação para julgar aqueles que vivem de acordo com o que lhe convém. Ninguém tem como prever o futuro, mas tem como melhorar o presente. Basta querer.



Perdoe. Mas não esqueça que a mãe do perdão é a humildade.

Perdoe. Mas não faça disso uma ação planejada, não pense em como deveria ter agido ou como agir. Apensas faça.

Perdoe. Mas não espere que seja recíproco para que seu perdão seja validado.

Perdoe. Porque antes de magoar o outro, o perdão irá corroer a ti mesmo.

Perdoe. Porque um coração em paz é mais leve que o rancor e mágoas passadas.

Perdoe. Porque o perdão é contagioso.

Perdoe. Porque a paz que você tanto procura em todos os lugares é consequência da bondade e do perdão que você dá aos outros.

Perdoe. Porque se você quer que o outro seja diferente contigo, deve observar se o que você expõe da sua parte é diferente do que está recebendo.

Não perdoe porque alguém te falou que você deveria fazê-lo.

Não procure o perdão como uma saída, uma solução mágica para todos seus problemas.

Perdoar é difícil e trabalhoso. É exercício diário.

Falar ou refletir não são suficientes. Para o perdão é necessário a ação. Feche seus olhos, abra seu coração, pense naqueles que te ofenderam e machucaram, encontre o problema, fale sobre isso em voz alta, ainda que seja sozinho (a). Coloque para fora, escreva, converse... E repita todos os dias: EU NÃO SOU O QUE FIZERAM DE MAL A MIM E PERDOO QUEM TENHA FEITO. Todos os dias. Em voz alta. No início vai doer, você vai chorar, não vai conseguir terminar, não vai nem acreditar. E tudo bem. No outro dia, vai repetir. E no outro, no outro, no outro... Até que em algum momento você finalmente aceitará o que está dizendo.

É como abrir uma ferida, deixar exposta, limpar, medicar e, esperar pacientemente, dia após dia, curativo após curativo, ver o machucado curado. E olhar para a cicatriz restante sem sentir dor, mágoa ou ressentimento, lembrando que a marca é para sempre, a dor não. O que fizeram a você pode te marcar eternamente, mas não vai determinar quem você é.

E se mesmo depois de tudo você não conseguir, está tudo bem se não ficar perfeito como antes. Está tudo bem se mesmo desejando livrar-se disso, a ofensa ainda te fere.

Perdão não é obrigação, é libertação. E longas curas começam um dia de cada vez.


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© 2026 por Duana Centenaro.

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