Perdão

Perdoe. Mas não esqueça que a mãe do perdão é a humildade.
Perdoe. Mas não faça disso uma ação planejada, não pense em como deveria ter agido ou como agir. Apensas faça.
Perdoe. Mas não espere que seja recíproco para que seu perdão seja validado.
Perdoe. Porque antes de magoar o outro, o perdão irá corroer a ti mesmo.
Perdoe. Porque um coração em paz é mais leve que o rancor e mágoas passadas.
Perdoe. Porque o perdão é contagioso.
Perdoe. Porque a paz que você tanto procura em todos os lugares é consequência da bondade e do perdão que você dá aos outros.
Perdoe. Porque se você quer que o outro seja diferente contigo, deve observar se o que você expõe da sua parte é diferente do que está recebendo.
Não perdoe porque alguém te falou que você deveria fazê-lo.
Não procure o perdão como uma saída, uma solução mágica para todos seus problemas.
Perdoar é difícil e trabalhoso. É exercício diário.
Falar ou refletir não são suficientes. Para o perdão é necessário a ação. Feche seus olhos, abra seu coração, pense naqueles que te ofenderam e machucaram, encontre o problema, fale sobre isso em voz alta, ainda que seja sozinho (a). Coloque para fora, escreva, converse... E repita todos os dias: EU NÃO SOU O QUE FIZERAM DE MAL A MIM E PERDOO QUEM TENHA FEITO. Todos os dias. Em voz alta. No início vai doer, você vai chorar, não vai conseguir terminar, não vai nem acreditar. E tudo bem. No outro dia, vai repetir. E no outro, no outro, no outro... Até que em algum momento você finalmente aceitará o que está dizendo.
É como abrir uma ferida, deixar exposta, limpar, medicar e, esperar pacientemente, dia após dia, curativo após curativo, ver o machucado curado. E olhar para a cicatriz restante sem sentir dor, mágoa ou ressentimento, lembrando que a marca é para sempre, a dor não. O que fizeram a você pode te marcar eternamente, mas não vai determinar quem você é.
E se mesmo depois de tudo você não conseguir, está tudo bem se não ficar perfeito como antes. Está tudo bem se mesmo desejando livrar-se disso, a ofensa ainda te fere.
Perdão não é obrigação, é libertação. E longas curas começam um dia de cada vez.