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O riso frouxo, os cabelos despenteados, o olhar despretensioso, o abraço apertado, a doce fantasia, o café quentinho, o abrigo perdido, o pôr-do-sol, choro contido, a última despedida, o triste semblante, o reencontro, a melancolia da chuva, a paz da alma lavada, o céu estrelado, o aconchego do lar, a comida da mãe, a colcha no dia frio, o refresco no dia quente, a alegria do palhaço, o encaixe do queijo com goiabada, os pés na areia, o coração no ar, a imensidão do mar, o infinito das planícies, o vento no rosto, um passo de cada vez, a grande discussão, o beijo na chuva, a rotina amiga, o tédio confidente, o travesseiro de penas, os filmes que recordam, os livros que inspiram, aquilo que ninguém vê, a intensa paixão, a fragilidade do amor, o último dia de aula, o nervosismo do recomeço, as dúvidas na cabeça, as lembranças do passado, momentos de hoje, as incertezas do futuro. Os amores. Os amigos. A família. A vida. Tudo reluz.

Deixa brilhar.

Hoje pela manhã acordei cedo e fui correndo comprar o café da manhã e o jornal do dia, só para ver com orgulho a matéria publicada. Mais do que o clima nublado, o que chamou atenção foi a quantia de pessoas fazendo faxina nas casas e comércios no sábado de manhã. Diante disso, recordei algumas memórias antigas.

Lembrei-me de quando acordava cedo – cedo mesmo – puxava a coberta da cama e arrastava até a sala, ligava a televisão bem baixinho (para não acordar ninguém) e assistia desenho. E como aquilo era divertido. O mesmo canal, os mesmos desenhos e a sensação de que a qualquer momento minha mãe iria acordar e me chamar para ajudar na faxina de casa. Sábado era (e até hoje ainda é) o Dia da Faxina. Assim, com letras maiúsculas mesmo porque ninguém escapava da moral da dita cuja. Era cortina para um lado, cadeiras para o outro, sabão pra cá, vassoura pra lá, fora a roupa para lavar.


Já mais tarde, quando eu ia às aulas de catequese no sábado de manhã, escapava da faxina em casa, mas via muita gente deixando tudo limpo. Sempre tinha uma funcionária ajudando minha mãe a lavar a casa, um comerciante jogando água na calçada e na rua a fim de amenizar a poeira ou então o rapaz lustrando o carro para fazer bonito no final de semana.


E ver isso todos esses anos depois me fez pensar que SIM, de algum modo, a faxina de sábado é importante para todos.


Hoje, pedalando de volta para casa, me perguntei: Se mesmo tendo passado tanto tempo, ainda existe a preocupação matinal de sábado com a limpeza de casa ou do carro, por que então as pessoas não adotam essa ideia para vida também? Por que não existe um esquema de faxina semanal para o coração?


Limpar, “por pra fora”, “jogar uma água” nas ideias negativas, nos problemas que não temos como solucionar, nas pessoas que fazem mal. Por que nos preocupamos tanto com a faxina exterior e nos esquecemos que a principal sujeira está dentro de nós?


Sou totalmente a favor que a água não seja usada apenas nas calçadas, mas que acalme também os corações e traga consigo a serenidade. Nem que para isso eu precise abrir mão dos meus desenhos animados ou do sono matinal. Afinal, melhor viver em uma casa mais ou menos e ter um coração limpo e feliz em harmonia, comigo e com minha bagunça.

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© 2026 por Duana Centenaro.

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