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Sobre a franja... e a sinceridade!

22 de set. de 2020
2 min de leitura

Certo dia você acorda disposta a mudar. Levanta cedo, se arruma, vai ao salão e corta a franja. Quando termina, se olha no espelho e fica pensando que talvez a mudança não tenha ficado tãããão boa assim. Na hora o espelho aponta que as tesouradas afiadas da cabeleireira que cortou cabelo demais onde não deveria talvez não tenham sido aprovadas pelo êxtase da inovação.

Intrigada com o novo visual, em casa pergunta à mãe, que, com medo de estragar a empolgação do novo corte, diz que o cabelo "ficou ótimo, até melhor que antes!". Depois pergunta ao namorado. Com receio de dizer a resposta errada (ele: “ficou ótimo, melhor que antes!” ela: “então antes estava ruim?” OU ele: “ah, não ficou tão bom, eu preferia o outro...” ela: “então quer dizer que você me acha feia agora?”), o rapaz desconversa e diz que adora todas as versões dela (mesmo que no fundo ache que ela ficava bem melhor sem essa franja inspirada na Tainá amazônica).

Quando já estava quase se convencendo de que talvez a estranheza do corte seja só falta de costume, seu sobrinho aponta o dedo indicador para a franja perturbadora e rapidamente até demais grita “CREDO, que feio!!”. Pronto. O comentário mais sincero e pertinente. O comentário que lhe convenceu a prender a franja para cima e esperar ansiosamente até o cabelo crescer novamente.

Diante dessa situação parou para pensar no porquê das “mentiras” anteriores. A mãe não queria chateá-la, o namorado não queria contrariá-la. Pequenas omissões, grandes intenções. Só a criança, de fato, livre de qualquer censura ou pudor, teve coragem de dizer o que achou do novo corte de cabelo.

A questão é que vivemos nos poupando de dizer as coisas como elas são ou como pensamos por causa de medos e receios. Umas vezes para facilitar a convivência outras para amenizar as consequências. Na realidade nos esquecemos que dizer a verdade também é bom, por mais que desagrade ou doa.


Todos podem te ver, ouvir, entender, desde que você irradie sinceridade naquilo que diz ou faz. Por mais que a verdade seja a linguagem universal, alguns esquecem que é permitido e necessário usá-la. E diante da história da franja da menina, permito-me dizer que sinceridade virou artigo de luxo.

 
 

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