Para os que não são perfeitos
- 21 de set. de 2020
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Não era o mais perfeito. Nem mesmo o mais bonito. Não tinha olhos azuis ou o corpo trabalhado. Não era o mais forte. Nem atlético. Não gostava de esporte, pra falar a verdade. Tinha um jeito diferente. De falar, andar, se vestir. Nem era considerado o mais normal. Não tocava no barzinho, também não chamava a atenção das garotas por onde andava. Nem pensava em ser o mais popular. E ainda que quisesse, era autêntico demais pra isso.
Acho que nunca percebeu que poderia ser “o mais”.
Ainda assim era especial.
Pra mim, era.
Os braços não eram os mais fortes, mas me davam a força que eu precisava dentro da paz do seu abraço. A naturalidade que trazia no sorriso largo contagiava muito mais que a popularidade alheia. A luz que trazia não vinha do que cantava ou tocava, mas da beleza dos pensamentos e ações.
Era diferente quando brincava, fazia caretas e me tirava do sério nas horas em que a seriedade devia prevalecer. Me desarmava. Quando dizia exatamente o que eu precisava ouvir. Quando contava uma piada sem graça e fazia rir só para que eu esquecesse dos problemas que insistiam em aparecer, mas que magicamente sumiam quando ele estava perto. Quando ligava no meio da madrugada e falava incansavelmente empolgado com alguma novidade e queria que eu fosse a primeira ouvinte. E eu ouvia atentamente. Ainda que estivesse com sono, que aquela não fosse a hora mais apropriada, ouvia não para saber exatamente do que você falava, mas porque aquela voz era o melhor som que eu poderia ouvir. Qualquer dia, qualquer momento, falando qualquer coisa que fosse. Porque não eram palavras, era música para os meus ouvidos.
A música perfeita da pessoa perfeita.
Pode até ser imperfeita para os outros, mas é completa para mim.
Tornou-se perfeito pelas peculiaridades que me fizeram encantar e acreditar nas infinitas possibilidades do acontecer. Porque não se importou em continuar mantendo a essência ainda que todos a mudem apenas para se enquadrar. Porque todo mundo é diferente e tem direito de ser. Porque eu abri os olhos para enxergar a pessoa que ninguém mais estava disposto a encontrar. E se quer saber, não me arrependo nem um pouco. Mais que isso, todos os dias acordo decidida a provar que eu também posso ser perfeita, ainda que dentro das minhas limitações.
Afinal, quem disse que o amor não pode ser perfeito?