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O encontro (parte 1)

  • 20 de dez. de 2020
  • 2 min de leitura

Só sei que eu queria mesmo ficar em casa. Seria mais um dia normal... Eu me enfiaria na poltrona e leria mais algum dos livros que estão empilhados na estante ou riria um monte assistindo algum seriado besta (que eu adoro e não perco por nada). Mas dai o que sempre me atrapalha é essa mania de não conseguir dizer não! Porque quando alguém vem falar comigo, especialmente pra me convidar pra sair, aquele serzinho que habita em mim - chamada consciência - não permite que eu simplesmente diga que to sem vontade, que sou estranha porque gosto mesmo é de ficar sozinha em casa ouvindo música alta e comendo alguma guloseima, afinal, não foi pra isso que inventaram os finais de semana?


Mais uma vez eu disse não. E fui levada - arrastada - pelos meus amigos. Sabe aqueles que dizem que querem nosso bem, que fazem o que acham ser melhor pra gente e que nos levam para lugares como esse em que estou agora.

O lugar é pequeno, aconchegante, me recordo de já ter vindo aqui alguma vez. Não lembro o nome mas até que gosto daqui. A meia-luz oculta um pouco dos rostos, talvez esse seja o motivo do meu gostar.

Era uma sexta-feira despretensiosa.


Um barzinho, música, bebidas, meia dúzia de amigos. Por trás dos óculos, no melhor estilo fundo de garrafa que sempre é motivo de piadas, de longe observei. Uma camisa xadrez, um cabelo arrepiado, um microfone e um violão na mão foram suficientes para chamar minha atenção.

Mas quanta audácia de alguém como eu pensar que poderia despertar o interesse de um tipo assim?


Sempre pensei que esse tipo de "coisa" fosse exclusiva para gente bonita, como no cinema ou televisão. Amor na vida real? “Não existe, nem pensar”. Para os outros sempre pareceu uma possibilidade ridícula. Para mim, a maior das certezas. Até descobrir que, na verdade, nunca temos certeza de nada.


Não sei porquê, nem explicar como aconteceu. Poderia ser o óculos, ou todo o metalizado presente nos meus dentes, ou ainda a exótica combinação de coloridos presente no vestido que escolhi para aquela noite (exatamente o primeiro que apareceu na minha frente, já que a vontade de sair de casa era a mínima). Mas em algum momento entre uma música e um drinque, um drinque e uma música, o vi parado com seu olhar no meu. Certamente não foi composta para mim, mas naquele momento tive a certeza de que cada “And she will be loved” era meu.


O cenário perfeito para se apaixonar. Logo eu, a mais convicta da inexistência do amor, quem dirá a primeira vista.


(...)

 
 

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