Aniversário
- 16 de jun. de 2020
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Seis meses atrás, enquanto todo mundo ainda estava na onda das expectativas para um recomeço (uh! mal a gente sabia o que estava vindo...), eu li em algum lugar uma frase que dizia algo como “não adianta você sumir de tudo e se refazer se a mudança não acontecer no seu interior”. Eu, com todos meus problemas de autoestima e aceitação própria, vi isso, tive uma *brilhante* ideia e fiz exatamente o que qualquer pessoa normal faria... o contrário! rs
Decidi que era hora de dar um tempo das redes sociais, não atualizei mais nada, até entrava no Instagram mas nunca ativamente, apenas observando tudo o que acontecia por ali. A regra era sumir de vez e não voltar enquanto não estivesse olhando no espelho (e para alguma foto - convenhamos – estamos falando de redes sociais!) me sentindo MARAVILHOSA.
Enquanto isso, muitas vezes tive vontade de me posicionar social ou politicamente, o caos se instalou em meio à uma pandemia mundial, mais de uma mudança de casa, isolamento social, algumas preocupações sérias com saúde, etc... mas eu segui firme na minha meta de desaparecer e ressurgir fabulosa e diferente (em especial fisicamente falando) porque no início era disso que se tratava. Voltar perfeita para uma vida perfeita de rede social *e esperar que todo mundo notasse minha ausência e mudança, cof cof*.
Eu mergulhei nos exercícios, dietas, isolamento de tudo e de todos. Um detox – literalmente – em todos os aspectos da minha vida.
Acontece que, como eu disse, no meio da minha “jornada para a perfeição”, a vida real foi aparecendo. E com ela novos questionamentos, afinal... De que adianta ter um corpo “perfeito” se a minha voz se cala diante de injustiças sociais que eu vejo acontecendo? De que adianta ficar em silêncio para “cuidar” de mim se eu não posso ampliar outras vozes que precisam desesperadamente serem ouvidas? Como eu vou ter um corpo “aparentemente” perfeito se eu não consigo aceitar as imperfeições que todo mundo tem ou se só aceito o que é o padrão imposto? Como aceitar as limitações alheias se eu não consigo reconhecer e amar nem mesmo as minhas? Por que sou refém de todos esses pensamentos? É óbvio que os medos e as dificuldades existem para todo mundo e que ninguém vai ficar postando sobre suas crises de pânico, ansiedade, depressão, problemas financeiros, entre outros... Mas por que MESMO SABENDO DISSO TUDO é tão difícil aceitar?
Infelizmente as inseguranças que fizeram eu me afastar são resultados de anos em busca da aceitação, perfeição e felicidade que vemos nas redes sociais sendo que (TCHARAN!!) o problema sempre esteve mesmo dentro de mim. Entendo, enxergo, reconheço e, de coração aberto, quando me dou conta, sinto vergonha por me sentir assim. Por compactuar tanto tempo e, mesmo que de forma involuntária, levar esse ciclo adiante.
Eu não sou perfeita. Não quero mais ser porque reconheço que buscava algo que não existe. Quero ser boa para mim, do bem, e todos os dias ter a certeza que dei o meu melhor. Sou um erro constante tentando todos os dias acertar. Estou disposta a aprender mais sobre aquilo que não sei/ não me atinge diretamente e a mudar, se necessário, quando reconheço que algo não me faz bem.
Hoje é meu aniversário. Eu sou privilegiada o suficiente para ter ao meu lado – longe ou perto – pessoas que me amam, fizeram questão de me mostrar isso e adivinha só? Em nenhum momento qualidade física foi atribuída a quem eu sou ou ao motivo pelo qual essas pessoas me aceitam e me querem por perto. Ai eu chorei e agradeci.
Honestamente, nunca foi sobre o que eu queria mostrar aos outros, mas sobre o que eu sei – e acredito que vocês também sabem - que acontece dentro dessa cabeça inquieta.
Às vezes, quando o coração e a depressão ajudarem, vou aparecer de volta por aqui. Por hoje, obrigada pelo lembrete que dias ruins, ou até meses, aparecem. É normal... para todos. E sumir do mundo não vai fazer você fugir de si mesmo. Mas sempre há um caminho para retornar, um lar para voltar e sentimentos para escrever.