top of page

Alguns dias atrás teve a 80ª edição do Golden Globe, evento que premia os melhores profissionais do cinema e da televisão dentro e fora dos Estados Unidos. Na cerimônia, três momentos realmente me chamaram a atenção.

Primeiro Michelle Yeoh, atriz de 60 anos, que atua desde 1984, recebeu o prêmio de melhor atriz em comédia ou musical pela atuação no filme Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (Everything Everywhere All at Once). Veja bem, desde 1 9 8 4. Somente este ano – 2023 – ela foi finalmente reconhecida. Em uma entrevista após a cerimônia, de forma descontraída, ao ser perguntada sobre o sentimento de conquista tão importante como essa, a atriz responde "já era em tempo! haha".


A segunda foi a atriz Jennifer Coolidge, de 61 anos, em atividade na área de entretenimento desde 1993, ganhou como melhor atriz coadjuvante em minissérie ou telefilme após atuação na minissérie The White Lotus. Além do Globo de Ouro, pelo mesmo papel, a atriz recebeu um Emmy, outra premiação importante do setor.

Por último, em um dos discursos mais emocionantes da noite, o ator Ke Huy Quan, 51 anos, levou para casa o prêmio de melhor ator coadjuvante em cinema também pela atuação em Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo. Ke Huy fez muito sucesso quando criança, em que estrelou filmes como Indiana Jones e Os Goonies. No entanto, após anos de falta de oportunidade, se aposentou da área de atuação trabalhando apenas nos bastidores/ como coordenador de dublagem. Até que, vinte anos depois, lhe foi dado uma nova oportunidade (que lhe rendeu a premiação atual).


Algo similar aconteceu também no domingo na 28ª edição do Prêmio Critics' Choice com o ator Brendan Fraser, 54 anos, que ficou conhecido nos anos 90 pelos filmes A múmia e George o rei da floresta. Após anos afastado das telas, Brendan retorna aclamado às telas pela incrível atuação no filme A baleia.


E por que eu contei essas três histórias?

Longe do discurso clichê de inspiração de Linkedin (eu hein!), quando soube desses resultados muita coisa passou na minha cabeça – especialmente sobre a cobrança que nossa geração tem em ser bem sucedido. Sobre o tempo que precisamos para alcançar o sucesso. Sobre O QUE É sucesso.

Para mim, essas histórias não são sobre superação ou sobre não desistir dos sonhos. É mais que isso. Talvez sejam para mim sobre como cada um tem seu próprio tempo.

Todo ano a gente vê listas de 30 antes dos 30, 40 antes dos 40, ou então jovens com grande alcance digital que entram nas listas de milionários antes mesmo dos 20 anos... E tudo isso meio que bagunça a cabeça de quem ainda “não chegou lá” até porque a gente já passou da idade para atingir esses marcos. Ou então, quando não isso, nos comparamos com a geração anterior, com a vida dos nossos pais na mesma idade. Levanta a mão quem nunca pensou "Nossa, na minha idade minha mãe já tinha uma criança, meu pai tomava conta de uma família, já tinha uma casa e eu ainda tenho dúvidas para escolher um abacaxi que não venha podre por dentro?!".


Aqueles como eu, talvez você, que chegaram nos 30 sem ainda ter muita noção do que querem, ou que já sabem mas ainda não conseguiram atingir. Aqueles que, aos 35 ou 40, tem como pets ou plantas suas maiores conquistas. Aqueles que não sabem se querem mesmo ter uma família tradicional. Aqueles que talvez pensem que é melhor viajar o mundo como nômade ao invés de ter a estabilidade de um trabalho 9-5. Aqueles que já casaram, mas divorciaram. Aqueles que, por algum motivo, têm que recomeçar quando "já deveriam" estar "bem arranjados" na vida.

Enfim, é legal ver gente conquistando coisas ao 50, aos 60, depois de anos longe da carreira dos sonhos, fora dos “padrões” de sucesso... É legal ver que cada um alcança coisas diferentes. É legal ver histórias “de verdade”, de quem teve empecilhos, quem teve que dar um tempo na carreira por motivos familiares. É legal que sempre tem como voltar ou continuar em uma nova perspectiva. É legal poder se identificar e se inspirar em histórias que são fora do percurso, porque cada um trilha um caminho diferente.

É legal lembrar que não é tarde, nunca é tarde. É legal, sim, ver que há tempo.

Sempre há um caminho. E onde quer que seja, existe uma luz. É ela que nos movimenta, irradia, explora, nos guia. Uma pessoa sem luz encontra-se perdida em algum lugar do vento, do tempo, do mundo.

Sozinha no caminho. Sábio é aquele que abre os olhos para a luz e trilha o próprio rumo.

Sábio é quem percebe que a luz, na verdade, não vem de fora

mas sim do interior e do melhor que existe em cada um.

  • LinkedIn
  • White Instagram Icon

© 2026 por Duana Centenaro.

bottom of page